Quanto vale o seu trabalho

Você é do tipo que cobra mais barato para não perder um cliente? Que sempre se ajusta ao orçamento que ele tem disponível ou mesmo que oferece um serviço de brinde caso ele feche com você? Você é do tipo que se submete à qualquer pechinca que seu cliente pede, afinal, mais vale metade na mão do que o dobro voando? Bem, acho que vale a pena você continuar lendo este conteúdo.

Certa vez um amigo meu me convidou para fazer um trabalho para um cliente que ele havia conquistado. Ele é um ótimo ilustrador, um bom designer, mas não entendia tanto de internet a ponto de desenvolver um website a este cliente, e como ele queria um serviço completo, ao invés de perder o cliente, preferiu dividir o valor com um amigo. Bem, aceitei e começamos a discutir os termos.

Resolvido que ficaríamos com metade do valor entre nós, começamos a discutir os preços das artes que desenvolveríamos. Seriam uma identidade visual completa, contendo um logo, cartão de visitas, um cartaz, um panfleto, um papel timbrado, um envelope e um website. Nesse caso, nós fizemos juntos o logo e, enquanto ele ficou responsável pelas partes gráficas, eu fiquei responsável pelo website. Nossa única discordância nisso tudo era quanto aos preços.

Discordávamos por dois motivos: Eu achava que ele estava cobrando muito pouco pelos serviços gráficos e ele achava que eu cobrava muito pelo website. Eu achava que ia muito por conta da auto-estima de cada um. Eu achava que meu serviço valia muito, ele achava que o serviço dele valia pouco, afinal, estava fazendo barato para conquistar clientes.

– O que um designer, sem nenhum cliente, pode exigir? – dizia ele.
– Cara, você é formado, faz um trabalho excelente e por muito tempo, argumentava eu.

Pedi que confiasse em mim sobre meu preço a ser cobrado e que eu defenderia isso perante nossos clientes, apresentei meus argumentos para ele, disse que não faria por menos e falei que se o site fizesse ele perder o serviço, eu abaixava o preço, afinal, o trabalho era dele.

Fomos à reunião com o nosso cliente e, antes de falar do serviço, apresentamos os preços. Não houve ressalvas quanto à parte gráficas, mas o cliente ficou um tanto espantado com o preço do site. Nesse momento, comecei a apresentar os argumentos. Disse quer era um site desenvolvido por um profissional com mais de cinco anos de profissão em desenvolvimento, disse que era otimizado para buscadores e que teria um layout único e exclusivo, mas a cartada final veio de uma velha história, não me recordo os detalhes, mas uso-a até hoje sempre que possível, de uma conversa de um arquiteto e sua amiga enquanto tomavam café:

Certa vez, enquanto tomavam café, uma amiga solicitou ao seu amigo que desenhasse uma planta para sua casa. O arquiteto pegou um guardanapo e, em dez minutos, atendeu a solicitação informando que o preço pelo trabalho ficaria em dez mil. Espantada, a amiga questionou o porque de tão alto preço por algo que ele havia demorado dez minutos para fazer e o arquiteto retrucou que foram dez minutos para fazer, mas dez anos para aprender a como fazer.

Foram dez minutos para fazer, mas dez anos para aprender como fazer!

Por fim, e com toda a confiança, informei ao cliente que se ele estivesse achando o preço alto demais, poderia encontrar outra pessoa para fazer seu site e até mesmo recomendei alguns serviços em que ele mesmo poderia fazer seu site por um preço muito inferior, caso fosse de seu interesse. Meu trabalho, naquele momento, era prestar a consultoria ao meu cliente sobre os melhores serviços que ele poderia adquirir, seja ele meu ou de outra pessoa.

Meu amigo saiu da reunião incrédulo pelo valor que iríamos receber pelo trabalho, afinal, era muito maior do que ele estava pensando. Quanto ao cliente, ele aceitou o preço, fechou o serviço e ficou muito satisfeito com os resultados.

Moral da história: Cobre o quanto acha que vale o seu serviço. Baixar seus preços somente irá fazer com que seu cliente passe a achar que você vale o que está cobrando e ele sempre irá voltar solicitando descontos e preços mais baixos. Saiba diferenciar preço de valor e mostre o quanto o seu trabalho vale cada centavo cobrado. Ao invés de descontos, busque por facilidades no pagamento, mais prazo ou qualquer outro modelo que apresente uma maior parceria, e assim, você estará construindo uma relação saudável com seu cliente, em que ambos ganham.

E para você, caro cliente, que está lendo este post agora, saiba que pagar barato nem sempre é o melhor negócio. Sempre vai existir o ‘sobrinho’ de alguém que ‘sabe mexer no computador’ que fará o serviço por preços muito mais baixos, mas quando estiver negociando um serviço para você, pense em como você gostaria que seus clientes tratassem os seus serviços.

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